sexta-feira, 30 de março de 2012

Apresentação

A Associação Comunitária Girassol (ACG) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, localizada na zona leste da cidade de São Paulo. Associação de caráter educacional e cultural, valoriza o direito à cidadania, desenvolvendo trabalhos comunitários e voluntários dentro de um clima democrático, participativo, justo e solidário.

Surgiu quando, insatisfeitos com as condições de vida do bairro, moradores decidiram realizar um estudo detalhado da região, que levou a constatar a extrema pobreza em que vivia grande parte da população, a insuficiente infraestrutura de transporte, saúde e educação, os altos índices de violência, além da falta de acesso a espaços de cultura e lazer.

Diante deste quadro, os moradores decidiram comprometer-se com a fundação de uma associação de bairro dedicada a organizar, em conjunto com a população local, ações que empoderassem a comunidade e contribuíssem para transformar sua realidade.

A fundação formal da Associação Comunitária Girassol ocorreu em 20 de fevereiro de 2005.

Entre outros trabalhos que a entidade desenvolveu ao longo dos anos, destacam-se: a organização de Biblioteca Comunitária; Oficinas de Formação Para Cidadania; Projeto Fazendo Arte; Projeto Filosofando; Projeto Hip Hop; Projeto Paula Hoje; Projeto Nas Ondas do Digital (reconhecido como Ponto de Cultura Pelo Ministério da Culturaa); Telecentro; Teatro.


A Região

O foco principal da nossa ação, o bairro da Vila Industrial, é formado por um conjunto de pequenas vilas: V.Miami, V. Lavinia, V. Ana Clara, V. Rosicler, V. Else, V. Cunha Bueno, V. Mendes, V. Iguaçú, Parque Pereira, V. Nova Utinga, consideradas no seu conjunto, pelo seus habitantes, como "Vila Industrial".

Essa região começou a ser ocupada a partir da década de 1950 por trabalhadores empregados nas cidades vizinhas (Santo André, São Bernardo e São Caetano do Sul, ou seja, o Grande ABC Paulista). 

Apesar do nome (Industrial), atualmente o bairro conta com pouca atividade industrial, predominando pequenos comércios. Os empregos gerados no bairro são predominantemente informais. O comércio emprega, na sua maioria, os próprios familiares, predominam bares, cabeleireiros e outros prestadores de serviços.


A Educação

A região conta com com seis escolas públicas para o ensino fundamental, sendo duas também de ensino médio. Estas garantem vagas, mas não preparam suficientemente o jovem para uma possível disputa por uma vaga nas universidades públicas. Não há cursos preparatórios gratuitos para estudantes que precisam e ou desejam dar continuidade aos estudos. 

A realidade da Vila Industrial é permeada por um crescente tráfico de drogas, o que gera o aumento da violência em todos os níveis, com frequentes mortes de adolescentes.


Infraestrutura de Cultura e Lazer

Existem na região equipamentos públicos como CDMs (Centro Desportivo Municipal), porém há dificuldade para realizar trabalhos conjuntos que contemplem uma proposta educacional e cultural integral para a comunidade.

Faltam meios para que a população busque o conhecimento para seu desenvolvimento cultural ou, ainda, identificar as expressões culturais existentes na região.

Assim,  pessoas acabam optando, cada vez mais, por ficar dentro de casa, por medo da violência, não buscando soluções que possibilitem satisfação e lazer com a família. As crianças e jovens são os mais prejudicados, ficando vulneráveis ao mundo do tráfico e à prática de atos violentos.


Infraestrutura de Transporte

Quanto aos meios de transporte público, encontramos oferta de linhas de ônibus e micro-ônibus com ponto final na região, porém a qualidade ainda não é a ideal. Nos horários de pico, esses veículos tornam-se verdadeiros objetos de tortura para os usuários, além de se constituir em risco constante de acidentes, principalmente no caso dos micro-ônibus.


Infraestrutura de Saúde

Por meio de lutas históricas, a população organizada conquistou a instalação de três unidades de saúde na região. Apesar das conquistas, atualmente há escassez de recursos, o que se faz notar tanto pela demora do atendimento médico como pela falta de medicamentos. O paciente espera por uma consulta com um médico especialista durante meses, mesmo quando a doença é considerada grave. A população continua posicionando-se perante as autoridades públicas em busca de melhorias.


Infraestrutura de Habitação

Atualmente se verifica uma grande desigualdade nesse setor. Existem, na região, cinco conjuntos residenciais de médio padrão, cinco favelas, vários cortiços e também moradores de rua. Constatamos desigualdade, tais como casas de bom padrão e bem situadas, nos melhores terrenos do bairro e, por outro lado, casas e barracos à beira de rios e córregos que, em dias de chuva, alagam, causando prejuízos e transtornos aos moradores.

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